sábado, 12 de setembro de 2009

The HIStory only begins...

30 de agosto de 2009 – esse vai pra minha biografia!!

Hoje o dia começou como ‘ontem’, com euforia. Dia 29 foi niver de Michael, e por isso eu me programei toda pra essa data. Resumindo: nesses dois dias, não peguei em um caderno.

Ontem, me diverti muito mais do que chorei. É preciso entender que a morte não traz só dor, mas também uma celebração à vida, principalmente uma vida que deixa um legado inigualável.

Hoje, acordei bem ansiosa [e bem tarde]. Esperava esse dia como louca! Acordei, liguei a TV e estava na MTV. Adivinha que clipe estava passando? Man in the Mirror! Sim, esse era um sinal de que um ótimo dia estava por vir.

Entrei no PC só pra não perder a mania de dar uma olhada no basicão, mas logo fui me preparar pra sair.

Bom, eu estava nervosa porque não sabia como eu ia voltar pra casa. Essas metrópoles são muito estranhas. Nos dias úteis não há lugar pra respirar, mas no fim de semana, dá pra treinar o moonwalk na faixa de pedestres da Rio Branco com o sinal aberto. Fácil. Essa cidade fantasma é meio sinistra pra uma aventureira que sai sozinha à noite.

Chegar foi fácil, mole. Cinelândia é o lugar mais mole de se chegar no centro do Rio. Saí do ônibus, dei uma conferência de qual saída do metrô estava aberta e fui até o local onde seria o tributo a Michael Jackson. Vi umas pessoas na porta e fiquei meio daquele jeito... tímido. Tipo, “Caramba, o que eu tô fazendo aqui sozinha? Ainnnnnn...”. Porque todo mundo parecia ter seu grupinho. É lógico, a internet é uma bênção, as pessoas muitas vezes se conhecem muito sem se conhecer pessoalmente. As MIBs são um exemplo claro.

Quando a gente entrou, ficou mais nítida a integração do pessoal. As pessoas da organização abraçaram as que chegavam, enfim. Aí fiquei sentadinha, esperando que alguém fosse pro ‘meião’, pra eu ir também.

“Putz, tocando Thriller e eu sentada!”. Aquilo começou a me agoniar. Só que eu já tinha reparado que numa mesa estavam umas meninas bem animadas, que já estavam zoando um pouco, fazendo a coreô de Beat It no cantinho. Putz, cara, levantei da minha cadeira e fui até uma das meninas que estavam de pé, esperando as outras e falei pra ela que eu vi que elas estavam animadas e tal, e que a gente podia começar a dançar, pra quebrar o gelo, sei lá. Ficar sentada era a treva, né não? A gente esperou as meninas voltarem, nos cumprimentamos, e eu era oficialmente a ‘bicona’ da mesa!

Se bem que o pessoal esquentou todo junto. Foi chegando mais e mais gente, a festa foi ficando cada vez mais bonita.

Fiquei lá dançando com elas e, nossa, fiz tudo que eu faço em casa, huahauhauahauhauah!

Acho que a festa começou mesmo quando tocou Wanna Be Startin’ Somethin’. Juro que eu me segurei pra não chorar quando chegou no ‘mama se mama as mama coo sa’. Todos batendo palmas, foi emocionante. No final, gritamos o nome dele tão alto que deve ter dado pra ouvir lá do Theatro Municipal.

Antes disso, eu já tinha começado a pagar meus micos da noite. Foram muitos! O primeiro eu acho que foi ficar pulando enquanto tocava Scream. Mas enfim, não estava sozinha na euforia. Uma das meninas da mesa estava duplamente animada. Ela pulou junto comigo, enquanto todo mundo ainda estava meio... normal. Na verdade, nessa hora pegaram o áudio dos shows de HIStory, que começa com uma mistura de Scream, They Don’t Care About Us e In The Closet (*___*). O melhor é que nesse comecinho ele sempre brinca com a gente, pra todo mundo imitar o ‘Hee-Hee!’, ‘Hoo-Hoo!’, ‘Ooh’ e ‘AAAAU!’, jaajjaajajajjaja! Foi legal senti-lo presente, e comandando a festa.

Mas voltando... Eu ri horrores com essa menina! Impressionante, ela e a irmã sabiam todas as letras e coreografias da era Jackson 5 e The Jacksons. Fiquei de caraaaaaa! E ela imitava tudo, desde aquelas reboladinhas que ele dava nos idos de seus 15 ou 16 anos, até aqueles passos que ele pega até a alma, se vocês me entendem. Tipo, Heartbreaker Hotel. ‘Hu!’

Tocara muitas músicas dessa época, uma loucura! Teve uma hora que tocou uma que eu não conhecia... Só pela introdução, a garota que estava sentada, começou a gritar e levantou. ‘Aaaaaaah, virgem santaaaaaa!’, ou algo do tipo, hahahaha! Todo mundo olhou pra ela, e ela nem aí , meio que dizendo: ‘ué, ninguém vai gritar não?’.

O trio ABC, I Want You Back e The Love You Save é imbatível. Jesus, eu dancei The Love You Save melhor que em casa, HUAHUHAUAH! Meldels, amo essa música. E nada melhor que a era The Jacksons pra fazer todo mundo dançar. Dancing Machine, My Lovely One, Heartbreaker Hotel, Can You Feel It e a incomparável Shake You Body.

Let’s dance, let's shout

(Shout! Dedinhos pro alto)

Shake your body down to the ground

(Dedinhos pro chão)

TODO MUNDO JUNTO! Maravilhoso. O melhor é quando eu viro pro lado e vejo um menino dançando a música no cantinho, imitando o pessoal. Fofura! Depois eu falo mais dele.

A presidente do fã clube interrompeu algumas vezes. Da primeira vez, fez uma abertura e falou que muito já choramos e ainda choraremos muito, mas que esse era um dia de celebração, de festejo. De onde ele estiver, ele estará feliz com esse carinho. Acrescento que ele deve estar realmente feliz de ver que seu sonho de ser imortal está aí realizado. Um legado como o dele não se apaga, só se torna mais fantástico.

O pessoal estava animado, gritavam o nome de Mike enquanto a presidente tentava falar. Até que gritaram algo de calça dourada, aí eu rachei meu bico. Pensei: “putz, agora NÃO, tudo menos isso!”. Enfim, muuuuda o assunto!

Eles abriram as homenagens colocando a apresentação de Billie Jean de Bucareste. Eu já vi esse DVD cinqüenta mil vezes, mas eu sempre fico em choque. E assim foi. Na apresentação final, fiquei de boca aberta que nem uma retardada, como se nunca tivesse visto aquilo. Mas aquela apresentação é tão, mas tão perfeita, que não dá, não consigo. Depois disso, uma menina cantou Smile, vestida de Charles Chaplin. É lógico que chorei, essa música passa a ter sempre o efeito inverso. Se você ainda não ouviu essa versão de Michael, OUÇA, é uma das suas mais belas interpretações.

Muita coisa legal aconteceu lá, porque todo mundo sabia as músicas de cor, as coreografias... Claro, uns mais que os outros [tipo eu, o que eu sabia? Nem 10%! HAHA!] Alguns estavam bem a caráter, outros nem tanto, mas o desejo de ser como ele é o mesmo.

Um deles estava bem compenetrado na coreografia, tanto que tinha quase um chuveiro de suor na sua testa. Ele estava bem na frente da mesa. Sabe-se lá o que ele fez, se passou a mão na testa, ou se só girou, só sei que ‘choveu’ em cima das meninas. Com eu estava em pé, eu só entendi o motivo do riso cinqüenta anos depois. Mas o melhor foi um homem que estava perto da mesa e ficou olhando lá o cover-chuveiro. Ele fez uma cara de ‘ih! Ta se achando!’. Ri horrores! Depois quando a gente foi embora, as meninas ficaram comentando que o que ele usava no braço, que queria imitar aquilo que eu não sei o nome, tipo uma luva que vai até o cotovelo, de Black or White, parecia gesso, pois tinha aparência de ser algo rígido. Puxa vida, eu sou uma pessoa legal, continuo achando que o que vale é aintenção! E ele mandava bem, fez sua homenagem. ^^

Falando mais das músicas, fizeram tipo um remix de uma partezinha de Say Say Say, parceria de Mike com Paul McCartney, que ficou muito Mara! Nem precisa dizer que todo mundo cantava o ‘Uh-Uh-Uh-Uh-Uh!’. Foi lindooo! E que massa foi eu tentando cantar ‘I Wanna Be Where You Are’ no mesmo tom que Michael. Enfim, quase fico sem pregas vocais. Mas o bom de estar num lugar como esses é que você pode gritar e ninguém ouve direito, hauhauhauahauhau. Eu não poderia fazer o mesmo em casa, ia tomar uma machadada na cabeça de algum vizinho estressado. Eles já devem estar putos de eu ter passado dias e dias ouvindo Michael no último volume [e continuo ouvnido, sempre que possível]. Só lamento por eles!

Na hora que tocou Thriller, acho que pela segunda vez, o pessoal já estava animado, e eis que todo mundo começa a dançar e tal. Como tava um alvoroço lá na pitsa, quase não deu pra ver tudo o que acontecia. Só vi que o mesmo menino que estava dançando Shake Your Body estava em cima de uma mesa, dançando com o pessoal. Fofura 2!

A festa só teve um defeito: eles dividiram as músicas por blocos, de acordo com as fases/CDs. Até aí, sem problemas, só que nisso, eu não entendi até agora porque tocaram as músicas de Thriller, em especial as de Thriller 25 anos regravadas por outros artistas, umas setecentas vezes. A ‘Wanna Be Startin’ Somethin’’ do Akon deve ter tocado umas quatro vezes. E com isso, saímos de lá sem ouvir uma música de Off The Wall, Invincible, Dangerous e Bad! De Bad tocou pelo menos Smooth Criminal, mas foi de uma das apresentações de fãs. Como tinham cinqüenta cabeças na frente, resolvi curtir a música, que pra mim é uma daquelas que se durasse uma hora, eu não enjoava! A apresentação é de Marcelo Jackson, que mandou hiper bem... Eu só vi agora, que disponibilizaram no youtube, jijiji, antes eu só tinha visto um chapéu branco pra lá e pra cá.

Quando a presidente abriu o microfone pra explicar isso das músicas, diznedo ‘gente, todo mundo está pedindo músicas, mas calma que vai chegar a hora’. Fizemos a zorra gritando ‘AGORA, AGORA, AGORAAAA!’ Hahahahahah! Nosso pedido infelizmente não foi atendido.

Quando foram umas 20h, com muito pesar eu vi que já era minha hora. Falei com as meninas que eu ia embora, mas aí a coincidência mor aconteceu: elas também iam pegar o metrô, e ima para a mesma estação que eu! E pra mim o problema mesmo era sair dali e ir até o metrô, mesmo que seja um trajeto pequeno. Pegar o ônibus depois era o de menos. Daí, era bem melhor sair em grupo, mesmo que mais tarde, do que sozinha. Foi melhor mesmo, porque depois fiquei que nem barata tonta sem saber para onde ir pegar meu ônibus. A cidade muda quando escurece! Hahahaha!

Ainda bem que eu fiquei, porque senão ia perder o bloco de HIStory, meu cd preferidoooo!! Também adoro a música-título, pelo que ela representa no contexto da construção da idéia que norteia o cd [ó a pseudo-intelectual em música atacando], e também porque foi vendo-o comentar o vídeo de divulgação do álbum que ele ganhou minha admiração.

Quando tocou They Don’t Care About Us inteira, estávamos sentadas, e fizemos o batuque do Olodum na mesa. Definitivamente, queríamos chamar a atenção, hahahah! É uma música que trata da resistência de Michael a tudo e a todos que tentam derrubá-lo. O cd HIStory, aliás, é quase todo focado nisso. Mas TDCAU transmitiu ume energia muito forte naquele momento. Mesmo eu estando sentada, curti muito essa energia, foi realmente mágica. Teve algo de especial naquele momento, não sei. E também não podia levantar, estava na batucada!

Até que toca o remix de ‘Stranger in Moscow’, que pra mim é a coisa mais contraditória do universo! Pegar uma música que fala de uma terrível solidão e fazer um remix pras pessoas dançarem e se divertirem com isso é um troço que não tem sentido. A merda é que é um dos melhores remixes do ‘Blood on the Dance Floor’! Hahahaha! Não dancei, só fiquei ali sentindo a emoção da canção. Até que, abaixam o som, e aconteceu uma das coisas mais lindas da festa: todo mundo continuou a cantar:

Like a stranger in Moscow
(Lord have mercy)
Like a stranger in Moscow
(Lord have mercy)
We’re talkin’ danger
We’re talkin’ danger baby
Like a stranger in Moscow
We’re talkin’ danger
We’re talkin’ danger baby
Like a stranger in Moscow
I’m livin’ lonely
I’m livin’ lonely, baby
A stranger in Moscow

A presidente fica emocionada com aquilo, e fala como é linda esse tipo de homenagem, porque realmente foi muito espontâneo. Ela interrompeu porque, como alguns tinham visto, um menino tinha dançado Thriller junto com o pessoal. E ele pediu pra dançar de novo. Todos ficaram sentados, pro pessoal de trás poder vê-lo também.

Eu quase caí no choro no meio de todo mundo, nem preciso explicar muito o porquê. O menino se chama Emanuel, tem cinco anos. Depois quando eu fui ao banheiro, ele estava saindo de lá com uma moça, não sei se era a mãe, e ela disse que desde os três ou quatro anos ele já via os clipes de Michael, e mal esperava a hora de ver um show dele.


Emanuel saiu aclamado da sua apresentação como Maiquinho. Eu fico muito emocionada em pensar que ele é um dos milhares e milhões de Maiquinhos que ainda vão existir, que ainda vão escutar e viver a loucura que é a obra desse grande artista.

Quando começou a tocar ‘2 Bad’, que eu adoroooooooo, lá estava eu empolgadona quando eu olho pro lado e vejo Emanuel dançando, cheio de gestos e uma cara de ‘tô bolado!’. Nossa, ele é incrível! Não sabia mais se eu dançava pela música ou pelo entusiasmo de Emanuel, que era contagiante.

A mesma menina que pulou comigo, pegou ele, abraçou, beijou, ‘fofurinhaaaaaa!’, haahahha! Antes, ela foi lá conversar com ele:

- Oi, qual é seu nome?

- Emanuel.

- E quantos anos você tem, Emanuel?

- Cinco.

- Nossa, você sabia que você dança muito bem?

- Sabia!

Hahuauhauahuahua! Bom, esse vai longe, humildade é um acessório! Hahahahaha!

Além de tocar ‘This Time Around’ e ‘Come Together’ (ô coro lindo!), chegou a vez de D.S. Ai, que felicidade a minha quando, no meio do refrão que diz ‘Tom Sneddon is a cold man’, umas meninas puxaram um coro de ‘FILHAAA’ DA P*TAAAAA! Vou fazer isso em casa, é relaxante! Hahahahah!

As meninas ficaram meio assustadas com aqueles elogios ao vento, talvez não tenham associado o nome à pessoa, ou até não o conheçam. Enfim, não interessa, esse tipo de gentinha só merece elogios desse naipe.

Esse dia vai ficar pra sempre na minha mente como um dia muito especial. Primeiro, porque foi um dos poucos em que eu realmente me diverti. Não tive vergonha de dançar ‘Wanna Be...’ e Beat it... O melhor de ‘Beat It’ é que como estávamos de costas pra pista, fizemos quase um Jackson 4 dançando, com o pessoal que estava mais atrás assistindo. Enfim, não avaliei o mico a tempo e quando vi já estava virando pro lado errado e destoando do resto do grupo, haha!

E antes de tudo, porque essa confraternização me mostrou que, mesmo que muitas e muitas pessoas tenham tentado tirar Michael do jogo, seja de forma direta ou indireta, a história que ele escreveu no mundo contemporâneo é indelével, e por mais que muitas injustiças tenham acontecido, o que é verdadeiro não é esquecido, e independentemente de quanto tempo isso demore, o que é verdadeiro sempre vem à tona. Quer dizer, a verdade já está aí, só não vê quem não quer.

Vendo Emanuel, percebi que a história ainda não acabou. Ela apenas acabou de começar, porque ninguém mais chega aonde Michael Jackson chegou. E quanto mais o tempo passar, mais vão perceber o quanto a sua história é fantástica e única.

“This isn’t it”

Até dia 28 de outubro.


P.S: Por que eu demorei setecentos anos pra colocar o texto? Porque eu estava feito uma louca chateando todo mundo por aí tentando arrajnar o vídeo de Emanuel dançando. Muita gente filmou, mas acho que ngm postou por aí. Mas acho que as fotos já dá uma impressão de como foi. Aliás, gracias elisamachado por ter colocado o vídeo de Marcelo Jackson e a 'gabytwymmf' do fórum neverland por ter disponibilizado essas fotos!


sábado, 5 de setembro de 2009

Acessibilidade ao ser humano

Sabe, estamos com banheiro novo na faculdade. Todo reformado, diferente do ‘ó’ que ele era. Lógico que, como tudo no serviço público, nada faz muito sentido. As obras começaram junto com as aulas do início do ano.
Agora ele está todo iluminado, com azulejo, com dois chuveiros e três sanitários. Antes só tinha um funcionando, isso dentro de uma escola que quase só tem mulheres.
Um dos banheiros é até aqueles com acessibilidade. Espaçoso, com barras de apoio para pessoas com dificuldades físicas. O vaso sanitário não é aquele 100% adaptado a deficientes, mas é alguma coisa.
Aqui, até que as coisas não são tão ruins. Temos elevador, rampas... por mais que algumas sejam mais inclinadas do que o que seria indicado, mas já alguma coisa.
Mas pra mim, o problema da acessibilidade não está nos equipamentos físicos, e nos recursos financeiros que eles demandam [e a própria vontade política no meio disso tudo]. A falta de acesso está em outro local. E está muito mais próximo do que a gente pode supor.
Hoje de tarde (segunda, 24 de agosto de 2009), saí de uma aula iluminada, de 3 horas e meia, falando sem parar sobre desnutrição. Nem preciso dizer que eu estou pirando com a carga absurda de informações, mas estou “mantendo a fé” em mim mesma.
Pois bem, lá estava eu na fila do micro-ondas (é assim na reforma ortográfica? :S), quando me chamam a atenção para uma pessoa que está na porta da sala. Um senhor franzino, com um Riocard azul [de deficientes físicos] pendurado no pescoço, com uma cara de quem está perdido, ou procurando algo. Bom, estava na cara que não era nem aluno nem professor, até porque todo mundo se conhece naquela escola. E nem faço a menor idéia de como ele chegou na nossa caverninha. . O legal de tudo é que as pessoas olham (mas não vêem) e devem pensar: ‘foda-se, não é comigo’ e voltam a sua posição inicial. Pronto.
Fiquei olhando aquela sala barulhenta e só vi uma opção. “Bueno, a ver que pasa”.
Fui até o senhor e ele me apontou a boca e o ouvido. Surdo-mudo. Mostrou-me seu Riocard, pra ver se minha ficha caía. Claro que comunicação é difícil, mas não acho que ele fica chateado quando alguém faz a tentativa de ajudá-lo. Muito pelo contrário. Mesmo estando com o tal problema, que eu ainda não sabia qual era, ele tinha olhos bondosos e um sorriso simpático, quem sabe tentando fazer as vezes de uma abordagem “Oi, tudo bem? Pode me ajudar”.
Aí, ele começou a me apontar uma pessoa. Pensei: “será que ele conhece alguém aqui?” Fui à direção que ele apontava, buscando o que raios ele queria. Até que chego numa menina que está batendo papo com mais duas meninas. Acho que perguntei a ela algo se ela conhecia aquele senhor. Na porta, porque estava apontando pra ela. Ela disse para mim: ‘não sei, ele me deu isso aqui’. Putz, caiu a minha ficha. A anencéfala estava com uma prancheta na mão.
Há quanto eu não via essas pessoas que pediam contribuição com pranchetinha a tiracolo. E a grande anancéfala pega a prancheta, segura e fica conversando. Quer dizer, está numa faculdade de nutrição e mal se dá o trabalho de ler o que o senhor tinha lhe dado. Caramba, não é muito difícil ser indiferente sem pelo menos não atrasar o lado alheio.
Peguei a prancheta e expliquei pra um grupinho a situação do senhor, e pra passar a bendita prancheta. Alguns prestaram atenção no que estava escrito e ajudaram. Outros, fizeram aquela cara de ‘que porra é essa?’. Nessa hora, interceptei a prancheta, quando percebi que ela ia empacar, ficar jogada no sofá, ou algo do tipo. Lógico que dei minha esmola.
Sim, isso é esmola. Uma historinha não diminui o peso de ser uma esmola. Mas o pior não é dar a esmola, e mesmo nem poder dá-la. O pior é esquecer o que isso significa.

You gotta get it right, while you got the time
‘Cause when you close your heart
Then you close your… mind!

Quando falo de acesso aos seus direitos básicos, acredito que o mais importante é o ‘acesso ao respeito’. O acesso não está numa barra de apoio, mas sim no próprio ser humano, na sua mente, no seu coração, no seu sentimento de que “você é só uma parte de mim”.


Uma barra de apoio não devia ser colocada só porque existe uma lei, mas porque você realmente pensa: ‘puxa, esse é um direito básico para qualquer pessoa: ir e vir... e ficar’. Em síntese, é uma obrigação se importar com o bem estar do próximo, afinal você sou eu, estamos todos no mesmo barco. Sem isso, a vida se torna inviável. Aliás, ainda não perceberam que a coisa já está inviável?
Esse estado anérgico é o que degrada a nossa alma. Depois, não entendemos o porquê de nos sentirmos sós, incompletos. Falta amor à vida, no sentido mais geral que isso pode ter.
Há umas semanas atrás, estava tomando café quando minha mãe chegou em casa. “Filha, tem um cara morto na porta da sapataria. Ta lá, cheio de sangue”. Aí , vem a fase do ‘que absurdo’, comum aos anérgicos que veem todos os jornais só pra decorar os detalhes da tragédia. “Nossa, era um rapaz novo... Morrer desse jeito... Tem até polícia lá...”. Dois minutos depois: “É, devia ser bandido mesmo, por isso que morre assim”. Eu fiquei estupefata! O que minha mãe estava fazendo? Só um súbito pré-julgamento? Não só isso. Ela deve ter achado bem menos traumático ver a morte ali, na sua face mais crua, em que a gente vê que a vida não vale exatamente nada, e logo achar que foi um bandido que morreu. Esse sim, pode morrer jovem. Menos mal. Deve ter se sentido menos mal.
Beleza, ando ouvindo “Man in the Mirror” demais, além da dose recomendada? Talvez. Mas seja o que for, meus olhos nunca foram completamente vendados. Talvez... seja o caminho mais difícil, mas é o certo. E como diria o grande M. J., “se você é forte e bom, então você é mau”.
[Como eu amo essa frase, ainda devo citá-la mais umas setecentas vezes...]

P.S.: depois de alguns dias de uso, o banheiro começou a infiltrar. Já está agora interditado para fazer os reparos. Essa é a grande gestão de recursos públicos, senhoras e senhores!
P.S. 2: Aproveitando que segunda é o dia da independência do Brasil, e algo de patriótico invade o nosso ser [¬¬’], todos de pé e com a mão do coração para a execução do hino nacional.

sábado, 29 de agosto de 2009

51

Extremamente sedutor em Liberian Girl.

Extremamente ousado em Black or White.

Extremamente ‘safadjenho’ em Workin’ Day and Night.

Extremamente “sozinho e frio por dentro” em Stranger in Moscow.

Extremamente sexy em Bad.

Extremamente assustador em Thriller.

Extremamente fabuloso em Billie Jean.

Extremamente solitário em She’s out of my life.

Extremamente romântico em You are not alone.

Extremamente corajoso em Ghosts.

Extremamente sufocado em Scream.

Extremamente humano em Will you be there.

Extremamente engajado em Man in the mirror.

Extremamente apaixonado em I just can’t stop loving you.

Extremamente roqueiro em Dirty Diana.

Extremamente alegre em I want you back.

Extremamente encantador em The way you make me feel.

Extremamente fofurete-mor em Todo mi amor eres tú.

Extremamente... extremo.

Extremos.


Como se pode ter uma sensibilidade emocional e artística tão apurada e pura, e ao mesmo tempo ser tão forte para suportar as injustiças? Como pôde “transformar frustrações pessoais em pura energia”?

Como conseguiu carregar tantas cruzes pesadas? Dizem que Deus nos dá as cruzes, ou o peso, que podemos suportar. É um herói.

O que mais me surpreende é como ele conseguiu manter um oásis no deserto que era a sua vida pessoal: manter uma família em harmonia e feliz, junto a Prince, Paris e Blanket, no meio de um ninho de cobras e abutres.

Desde o dia 25 de junho, não há muito que se dizer. Palavras se tornaram muito tolas.

Mas eu preciso dizer que Michael Jackson sempre estará vivo no coração dos freaks, excêntricos, estranhos e loucos... Que ainda tem a audácia de acreditar num mundo melhor.

Você já é meu rei, ‘magrelo’. Para sempre, serei sua súdita, mesmo que algum dia fique um pouco indisciplinada, digamos.

Hoje, Michael faria 51 anos. Seria uma boa idéia. Uma ótima idéia.


Feliz aniversário, magrelo. Com guerrinha de bolo e tudo mais.

domingo, 23 de agosto de 2009

Tired of injustice, tired of the schemes!

Olha, hoje eu não estou com saco pra nada. Era pra eu estar lendo sobre fisiologia agora, reaprendendo o que não aprendi há um ou dois anos, mas não tô a fim.
Também não tô a fim de escrever coisas belas, ou mais elaboradas. Só estou aqui pra dizer que isso tudo está cansando.
Pode parecer que não, mas eu gosto de política. Só não tenho muito tempo pra acompanhar, e a forma como a imprensa trata me deixa saturada.

Essa história do sarney foi bem interessante. No twitter, todos mobilizados com o fora sarney,mas quando o pedido era pra ir às ruas, não tinha nem cem pessoas reunidas. Quer dizer, as pessoas virtualizam a sua própria responsabilidade e dever como cidadão.
Há algum tempo atrás, antes da crise se instaurar, eu ouvi uma pessoa dizendo que o sarney nunca foi da oposição. Ou seja, ele passou por períodos políticos extremamente opostos, ditadura e abertura política para democracia, e nunca esteve contra a corrente. O que é isso? Conveniência pura? Ah, por favor, é só o olhar o partido ao qual ele pertence: PMDB. Não é preciso falar mais nada. Mais situacionista e populista que esse partido, impossível.
E depois de muito chiar, de muitas denúncias brotando 'à la revista Veja', tudo é arquivado.
Olha, realmente cansei disso. É impressionante como as pessoas se vendem puramente por dinheiro. Pensam que só estão enganando um pouquinho os seus eleitores otários, e não param pra pensar que esse tipo de atitude mata. Mata crianças de fome. Mata pessoas na fila dos hospitais. Mata jovens nas ruas, pela violência gratuita.
Sim, esses dinheiro que vocês pegam emprestado, mata.
É, ando ouvindo muito Man in The Mirror, mas ando ouvindo mais ainda uma música chamada Money.
E pra não esquecer, a corrida presidencial começa, e com ela, os escândalos para tentar jogar os adversários fortes pra escanteio. Peraí, alguém me explica uma coisa: as pessoas filmam a movimentação de uma portaria e de um prédio pra que, caso haja algum incidente, aquilo sirva e ajuda, de prova que algo aconteceu ou não. E isso inclui guardar as imagens. Como assim não existem imagens da entrada de um prédio pra provar que uma certa senhora teve uma certa conversa com uma certa presidneciável, forçando-a a apressar investigações do filho de um certo presidente do senado?

Essa sensação de que já não adianta mais, e de que o tal deus indiano tem que acabar com esse mundo pra começá-lo novamente, não é só da política que vem. Só mais uma amostra de que não adiantar ficar chiando, nada vai mudar.


O sujo falando falando do mal lavado.
A Globo, nooossa, mostrou uma coisa nesses últimos dias que eu nem imaginava! Fiquei 'chocada'! Como assim, o dinheiro dos fiéis não ia exclusivamente pra caridade e manutenção de templos? Sustenta meios de comunicação? Ooooooooooooooooooooooooooh!
Nos primeiros dias da 'denúncia', o Jornal Nacional usou quase 50% do seu tempo em acusação à Record. Puxa, e eu nem imaginava que pra sustentar aqueles vampiros com salários milionários eles se utilizavam desses recursos...
Então, TV Globo você tem uma ficha muito limpa, não é? Como muito bem disse o pessoal do Furo MTV, não é que as emissoras compradas por José Sarney e Collor são da Rede Globo? Ahnnn tá, o que é pior?
Não adianta a Globo querer falar mal e não sei mais o que, a audiência não vai aumentar por causa disso. Eles estão pensando o que? Que a justiça vai punir a Record, fechar as suas portas, pegar o dinheiro e devolver ao povo? E a Globo vai ficar como redentora dos frascos e comprimidos? Gente, a Justiça não pega nem o Sarney!
Qual é o trunfo de Sarney e Record? Lobby, influência. dinheiro.

Já que eu estou revoltada, acho que esse vídeo cabe muito bem aqui. Como manipulam a nossa mente, como só pensam em vender. Como são parciais.


Essas coisas me dão vontade de vomitar! É assim que o mundo é. E a gente aceita isso hiper na passiva. Somos muito burros, estamos perdidos no meio dessa lama. Hoje não estou pra pensamentos muito esperançosos. Está na hora de acabar logo com tudo. Pra que esperar ver mais tragédias?
Ah, quer saber?


sábado, 15 de agosto de 2009

You got many doctors that aren't so sure...*

As coisas boas acabam mais rápido que as ruins. Quando a gente masca Bubbaloo [sabe-se lá qual foi a última vez que eu comi isso], o gosto do recheio acaba rápido demais. Quando a gente tem que tomar coisas horrendas como leite de magnésia, aquele gosto parece que fica uma eternidade na boca.
Assim é a vida. E as férias chegam ao seu fim. Ainda fomos bem sortudos, por já era pra estarmos na velha rotina há duas semanas. Ganhei mais um tempinho, pra fazer coisas muito importantes... Como não fazer nada.
Além de ver TV, tipo Sônia Abrão e Jornal Nacional, coisas que não fazem parte da minha vida diária, vi um drama coreano chamado Coffee Prince e me tornei (quase)** fã de Michael Jackson. É sério, só fiz isso durante cinco semanas.
Ah claro, fui ao médico umas duas vezes, e fui a faculdade umas cinco ou seis vezes pra reuniões, apresentações de monografias. Só. Acho que o mais próximo que eu cheguei de nutrição, foi isso:
You're a veg'table, you're a veg'table
Still they hate you, you're a veg'table.
You're just a buffet, you're a veg'table
They eat off of you, you're a veg'table.
Foram ótimas férias. Eu abstraí totalmente das minhas responsabilidades de estudante. Na verdade, não era o mais certo a se fazer, do ponto de vista de aspirações futuras, mas do ponto de vista 'defendendo minha saúde mental', foi o melhor que eu poderia ter feito. Eu não sei o que vai ser de mim nesse período. Eu acho que vou ter que tirar todas as músicas do mp3 e deixar só Keep The Faith tocando direto, senão eu vou me jogar do asfalto.
Nesses dias, eu fiquei mais sensível, mais ainda do que na época da 'Feia'. [Sim, eu consegui essa façanha!] Isso acontece quando você vê um casal lindo se encontrando novamente, depois de dois anos separados por uma longa distância. E quando você começa a se admirar por uma pessoa no dia que ela morre. Definitivamente, eu me lavei de dentro pra fora. Mas chorar agora é bom. Só não posso querer chorar a partir de segunda, aí não dá mais tempo, tem que marcar um horário na agenda.
Essas férias vão me fazer uma falta... Já estou até planejando escrever nas próximas férias, em janeiro, de tão produtivas que foram essas horas de ócio. Mas enfim, a idéia precisa ser mais amadurecida. Beeeeeem mais, diria eu.
Como estratégia pra não sentir muito essa volta às aulas, e a crônica falta de tempo que ela representa, emprestei quase tudo que eu tenho de Michael, exceto os cds, pro meu vizinho. Se eu estivesse com tudo isso aqui em casa, eu não teria parado, e a crise de abstinência ia ser medonha. Só ficou o show de Yokohama, o primeiro da coleção.
Acho que estou preparada. Esse período vai ser de matar, mas se eu gosto do que faço, eu vou suportar, e o melhor, vou conseguir aprender.
Eu espero poder manter o mínimo de contato com o ócio, e ao mesmo tempo tentar recuperar esse tempo 'perdido' das férias.
E outra coisa: eu tive cinco semanas adequadas pra ser pega por essa gripe. Se eu pegar ela agora, eu vou realmente irritada! Uma semana afastada de sete matérias e uma monitoria, neeem pensar!
Por fim, eu digo que vou ter assuntos melhores quando voltar à rotina. Eu juro!

* A respeito do título, 'vou mandar um salve' pra Conrad Murray... Sabia que é muito feio tirar o corpo fora, senhor?
** O (quase) é só uma questão de uma nomenclatura própria, coisas que eu acho que são de atribuição de uma pessoa que se diz fã, e que eu ainda não tenho condições de fazer. Na verdade, se eu for pensar bem, se fosse depender disso, [de tentar entender, compreender o ídolo, o que eu acho uma atribuição de um fã] ninguém seria fã de Michael. É, preciso me acostumar com essa nova realidade... Mas já era, estou irremediavelmente apaixonada pela vida e obra desse magrelo.

domingo, 9 de agosto de 2009

"Told me that you're doin' wrong, word out shockin' all alone..."

Hoje, não tenho muito o que falar. Só queria dizer que eu não aguento mais essa vida de pai morando onde judas perdeu as botas. Não aguento isso de ligar pra um único orelhão que funciona e não encontrá-lo.
Hoje, eu só quero perguntar, mesmo sabendo que não vou ter resposta.
Essa gripe suína, mesmo sendo algo ruim, que está assustando as pessoas e tudo mais, serviu para me dar um período adequado de férias. Três semanas somente era desumano! Se bem que agora começo a me sentir imprestável, e um pouco apreensiva e ansiosa pra ver como tudo vai acontecer no que resta desse ano. Só sei que passo meus dias revezando entre os dvds do Michael.
E aí eu inventei na minha cabeça estranha o que seria o 'MJ way of life'. É outro jeito de ver o mundo, outra mentalidade. Se você não entra nessa frequência, e não se dispõe a ver a verdade, simplesmente é perda de tempo tentar 'entender' Michael Jackson. Aliás, eu estou vendo um texto de uma fã dele que é figuraça, tem um senso de humor apuradíssimo/'agressivíssimo', e vi esse texto dela no blog de outra fã. O texto é espetacular, tomadésimo no Jiraya, te ensina a como responder aos desinformados sobre Michael Jackson quando não se tem mais saco rpa ser diplomática. Clique aqui pra ler.
Acho que isso se materializou na minha cabeça quando eu comecei as ouvir as músicas dele novamente. Já no 'MJ way of life'. Aquelas mesmas que tocavam na JB e que eu nem me tocava muito de quem estava cantando. Exemplo clássico pra mim é Man In The Mirror. Eu sempre achei essa música legal, mesmo que nunca tenha procurado ver a letra toda. Mas hoje quando eu ouço, ou melhor, principalmente quando eu vejo, eu falto morrer. Essa música tem uma energia assustadoramente poderosa, parece que você sente corações pulsando através dela. E dá um misto de angústia, culpa e ao mesmo tempo, algo de bom, te chamando para a revolução. Hoje eu entendo porque as pessoas desmaiam tanto no show dele.
Quando eu ouço Heal the World, Will you be there, Keep the Faith, parece que estou enchendo um pote. Um pote de motivação. Como se tivesse acumulando energias pra poder agir.
Mas como agir? Quando agir?
Será que agir significa dar cinco ou dez centavos para todos os aflitos que aparecem pedindo ajuda no trem? Não sei, eu fico sempre insatisfeita quando penso nessa alternativa.
Todos os dias, essas perguntas têm povoado a minha mente, com a certeza de que um dia serão respondidas, por mais que a angústia persista. E, ainda por cima, vem mais dois pra futucar a minha cabeça.

Enquanto a neve cai
Em uma fria e cinza manhã de Chicago
Um pobre pequeno bebê de uma criança nasce no gueto

E sua mãe chora
Porque se existe uma coisa de que ela não precisa
É de outra boca faminta para alimentar no gueto

Então pessoas, vocês não entendem que a criança precisa de uma mão solidária?
Ou ela crescerá para ser um jovem homem faminto um dia
Dê uma olhada em você e em mim, nós estamos tão cegos para enxergar?
Nós simplesmente viramos nossas caras e olhamos o outro lado?

[Putz, vou falar. Gostei da tomada cantando. Na madrugada que eu baixei essa música, não pude evitar de lembrar diretamente do convite 'cantado' de Mike para um dueto. Mas não vou falar agora sobre como a vida dá voltas]

terça-feira, 4 de agosto de 2009

“No matter how it starts it ends the same... Someone’s always doing someone more”

Sabe, ficar de férias não faz bem para a criatividade. Parece que temos mais tempo livre, mas na verdade não damos valor a ele, e eu particularmente, não consigo aproveitá-lo. Parece que só funciono bem sob pressão, hehe!

Na verdade, acho que o problema está nessa total inatividade que eu fico. É do computador pra televisão, e depois é hora de dormir bem tarde. Pra acordar na hora do almoço. E essa rotina é tão vazia, mas tão boa! Eu realmente estava sem nenhuma idéia do que escrever aqui, justamente porque as férias me tiram do mundo, suspendem o meu contato com outros seres humanos. Realmente, minha mente está vazia há algumas semanas. Eu acho isso bárbaro, já pensou se não houvesse essa parada pra limpar a cabeça da rotina?

No domingo me tiraram de casa. Tiveram uma idéia pra comemorar o aniversário de um amigo e o meu, e aproveitar pra reunir o pessoal. Aí eu descobri que as férias me deixam também antissocial. Foi bem legal reencontrar as pessoas com quem passei momentos da minha vida. Alguns mais, outros menos. Uma das pessoas estuda comigo desde a 6º série!

Fiquei feliz mesmo de reencontrar essas pessoas, mas não sei, não parecia tão empolgada como outros ao ficar relembrando o passado. Como disse o Quico ao Pânico na TV, “eu não quero ‘presente’, eu quero futuro”.

Acho que a coisa já começou como um grande flashback, pois iríamos fazer o passeio marítimo do local onde a maioria tinha feito estágio. Eu sei que nunca mais eu vou ganhar 150 reais tão fácil outra vez na minha vida, e sei que formamos uma equipe de estágio muito legal e quando não estávamos guiando, estávamos rindo horrores. Mas mesmo assim, foi pra mim uma época difícil e, como eu já disse outra vez, as coisas não se compensam, o positivo e o negativo não se neutralizam. Esse não é o sentido da vida.

Acontece que era um domingo de sol e os ingressos estavam todos esgotados! Ficamos lá enrolando, esperando os atrasildos chegarem. Saímos sem destino pelas ruas do Centro do Rio, que no fim de semana se assemelha a uma cidade fantasma... só esperando pra sermos assaltados, só pode! Não tinha uma birosca aberta, então algum animalzinho teve a brilhante idéia de ir pra um shopping de Botafogo. Putz, mais longe ainda de casa, mas beleza.

Lá, o pessoal nos fez pagar mico, cantando parabéns na mesa. Bom, o negócio é fingir que não é com você, afinal não se contraria louco.

Uma das minhas grandes amigas estava muito empolgada com o reencontro, e esperando o elevador, ficou falando sobre o quanto ela tinha saudade do passado. E eu disse a ela: “sim, mas já passou, agora a gente tem que olhar pra frente”. E ela falou “é, mas é que agora parece tudo tão chato, tão parado, e parece que não aproveitei o bastante”. Sempre fica essa impressão, mas a vida segue em frente temos que olhar para o futuro.

Nem que me pagassem eu voltava pra qualquer fase da minha vida, falando sério! Todas tiveram suas coisas legais, e outras nem tanto. Era legal lanchar coxinha e guaraná todo dia no bar do pai, era legal ficar jogando papo pro ar sentado na árvore ou na pokebola, era legal se jogar no cantinho feliz e fazer terapia de grupo. Mas tudo isso já foi, e tudo isso foi importante pra que eu seja como sou hoje. Tenho boas recordações. Poucas, porque a minha memória é uma grande porcaria. Tenho saudades sim, mas essa coisa de nostalgia... Acho que passei dessa época.

Bom, desse domingo, ficam as boas recordações, as pessoas incríveis que eu revi depois de tanto tempo... e uma garganta arranhando e um nariz escorrendo!